Thursday, December 29, 2005

Sobre o tratamento do material de escrita.

Houve uma pessoa que se sentou numa casa vazia, apaixonada pela sua mente.
Que era bela e que tinha estilo, oh, imenso estilo – dizia a pessoa sentada na casa vazia, feliz em estar contente apaixonada pela sua mente.
A casa era numa praia porque estas casas são sempre em praias, e era Inverno, porque era preciso nevoeiro alto, frio azul-cinza, e chuva e lareira à noite, e porque era preciso que a praia estivesse vazia.
Já disse que os dias eram azul-cinza, que é um azul muito frio, mas que por ser muito claro é muito quieto e as pessoas tendem normalmente a associar com a paz.
Ora, a pessoa que se sentou na casa vazia no Inverno da praia vazia também tinha os olhos azuis, muito azuis e muito abertos.
Meu amor, meu amor – dizia a pessoa sentada na casa vazia, com os olhos muito azuis muito abertos contra o céu – como fiz bem em deixar-te e trazer-te para aqui, onde tu estejas a salvo de ti e eu esteja a salvo do que te fazias.
Ao final da tarde o vento levantava ondas que se rasgavam contra as rochas do penedo onde ficava a casa vazia, e a pessoa que lá se foi sentar sorria sempre e dizia:
Não te quero ver mais, nunca mais, nunca mais, nunca mais…

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